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Os instrumentos de cordas são denominados de CORDOFONE. Os primeiros instrumentos de corda que se tem notícia datam de 6.000 anos antes de Cristo, e foram encontrados na Pérsia, onde receberam o nome de KÉTAR -> Kitara -> Koto (Japão) ou Chitarra. O bojo desses instrumentos era, geralmente, de casco de tartaruga. Mais tarde passou a ser construído de madeira (“de madeira” em árabe: al’ud -> lute (lutiaria: arte de esse instrumento “lute”) -> alaúde. Quando esse instrumento foi introduzido na Europa (península Ibérica), com a invasão árabe, passou a denominar-se de “vihuela”. Em Portugal costumou-se chamar todo cordofone com formato cinturado de “viola”. Tipos de instrumento (viola) Hoje, no mercado, há três tipos de instrumento: a) laminado: neste toda a caixa de ressonância é feita com madeira laminada (compensado). As principais vantagens do instrumento são: preço e resistência. A principal desvantagem é que sua acústica não é muito privilegiada, principalmente devido à cola entre as lâminas, que pode prejudicar a transmissão acústica, ou vibrar (se for mal colada); b) misto: neste a tampa da caixa de ressonância é de madeira maciça, enquanto que as laterais e o fundo são fabricados com madeira laminada. A principal vantagem é a grande melhora na acústica do instrumento, uma vez que o tampo responde por cerca de 90% da capacidade sonora do instrumento. Mantém, como vantagem, a resistência. A madeira do tampo tem que ser macia, para transmitir a vibração das cordas, e, ao mesmo tempo, tem que resistir bem à tração imposta pelas cordas. A potência de um cordofone depende da diferença de impedância entre o ar externo e o ar aprisionado dentro da caixa de ressonância. Numa caixa muito profunda, praticamente não há diferença de impedância entre o ar interno e o ar externo, ou seja, a caixa não tem nenhuma potência. Instrumentos com caixas mais profundas têm um som mais adocicado. Observa-se que os instrumentos de concertistas têm caixas mais rasas (mais finos). O Bambu é uma madeira ótima para o tampo, com a vantagem de ser ecologicamente correto e visualmente é muito bonito (seus veios brilham como linhas douradas). Madeiras brasileiras tipicamente utilizadas na fabricação de tampos são: Cacheta e o Cedro (que é melhor que a Cacheta). Madeiras importadas de boa qualidade provêm de países com invernos bem definidos, pois as árvores desenvolvem-se em anéis concêntricos, uma vez que no inverno o crescimento das plantas é reduzido, gerando uma madeira muito resistente. Essa alternância de madeira mole (gerada na primavera, verão e outono) com madeira dura (gerada no inverno) acentua a qualidade dessas madeiras para a construção de tampo para as violas. O Pinho-de-riga (Pinho Sueco), genericamente denominado de Abeto e a Sitka do Alasca são exemplos de madeira boas para tampos; c) maciço: todas as partes da viola são construídas de madeira. Outras partes da viola Lateral e Fundo. Principal função: a reflexão sonora da vibração gerada pelo tampo. Por isso a madeira tem que ser rígida e dura, sem porosidade. A Aroeira é um excelente exemplo de madeira dura, com a agravante de ser muito pesada. O Jacarandá da Bahia é leve e muito rígido, além de ser excelente transmissor do som. É a melhor madeira para Lateral e Fundo de violas. Por suas excelentes características, é a madeira “curinga” na fabricação de viola, pois pode ser aproveitada em várias partes do instrumento. Outras madeiras brasileiras utilizadas para Lateral e Fundo são: Imbuia (da família da Canela), Anjico Preto, Pau Vermelho Cobra, Massaranduba e Jacarandá Paulista. Como a maioria dessas madeiras está em extinção, sua venda é proibida, mas há alternativas em pesquisa, para sua substituição por madeiras da Amazônia. Outra fonte dessas madeiras nobres é o desmanche de móveis antigos, assim como de portas e janelas de velhas construções. Escala. Sua principal função é a fixação dos “trastos”, para a construção das seqüências de notas (“escala”) nas cordas da viola. O Jacarandá da Bahia, por sua excelência na transmissão sonora é a madeira preferida para esta parte da viola. O Ébano, que é muito duro, por sua coloração negra, ressalta muito a beleza do instrumento, porém, recentemente, descobriu-se que é “surdo”, ou seja, transmite mal a sonoridade do instrumento. O Pau Santo tem boa dispersão sonora e uma dureza que, às vezes, pescadores o utilizam como suporte para o eixo das hélices dos barcos, pois não desgasta, principalmente por estar imerso em água. O Ipê tem boa dispersão, mas não é tão leve quanto o Jacarandá da Bahia. Outras madeiras usadas são o Pau Roxinho (da família do Jacarandá), a Braúna (da família da Aroeira) e o Pau Brasil, que possui a melhor transmissão sonora. Cavalete. Sua função é de segurar a extremidade das cordas. Por isso deve ser rígida, tendo boa transmissão sonora, boa resistividade, e por estar sobre o tampo, tem que ser leve. A melhor alternativa é o Jacarandá da Bahia. Braço. É quem sustenta a Escala. Entre as madeiras utilizadas para o braço da viola estão o Cedro Rosa e o Mogno, por possuírem boa resistividade e flexibilidade. O Mapple é uma madeira importada, clara, que tem sido utilizada atualmente. Leque Harmônico. È formado por Barras Harmônicas, cuja altura e número definem a “qualidade” do instrumento. As alturas das barras próximas às cordas de afinação mais aguda são menores que as alturas das barras próximas às cordas mais graves. Tarrachas. Dar preferência às tarrachas com maior número de dentes nas engrenagens e menor diâmetro onde a corda será enrolada, pois têm maior precisão na afinação das cordas. O principal fabricante no Brasil é a DEWAL. Há tarrachas com as engrenagens cobertas, que são denominadas de “blindadas”. Fabricantes: DEWAL (brasileira), GOTO (japonesa – a melhor) e SCHALLER (alemã). Soleta. Onde ficam as tarrachas. Quanto mais reta, em relação ao braço da viola, maior a tensão nas cordas. Cordas. Tem que experimentar para ver qual se adapta melhor ao seu instrumento. Em média as escalas brasileiras têm 580 mm. Captador. Sua primeira função é não distorcer o som da viola. Entre os de contato os melhores são Schaller e Yamaha. Os captadores de rastilho têm maior fidelidade. Dar preferência aos captadores ativos. O “direct box” pode ser ativo ou passivo, mas recomenda-se seu uso pois são bons “filtros”. Cabo. Tem que ser bom. Geralmente deve ser de dez metros. A blindagem não deve ter sua extremidade retorcida. Sem uma boa blindagem o cabo pode tornar-se uma excelente antena para rádios, cuja transmissão é amplificada junto com o som do instrumento. Outras dicas e informações A viola tem que ser guardada AFINADA, ao ar livre, respirando. De preferência pendurada na parede por “garras”. Quando viajar de avião, levar a viola como bagagem de mão. Nunca despachá-la, pois pode ser danificada no transporte / manuseio das bagagens. Se for para locais muito secos (como Brasília, ou para outros países), afinar a viola em um tom mais grave. Usar sempre CORREIA. Quanto mais larga for, melhor distribuirá o peso da viola nos ombros.
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PARA OS NOSSOS ALUNOS
Música - SAUDADE DE MINHA TERRA - Campeira - Tom A
DE QUE ME ADIANTA VIVER NA CIDADE, SE A FELICIDADE NÃO ME ACOMPANHAR ADEUS PAULISTINHA DO MEU CORAÇÃO, LÁ PRO MEU SERTÃO EU QUERO VOLTAR / VER A MADRUGADA QUANDO A PASSARADA FAZENDO A ALVORADA COMEÇA A CANTAR / COM SATISFAÇÃO, ARREIO O BURRÃO, CORTANDO ESTRADÃO, SAIO A GALOPAR, E VOU ESCUTANDO O GADO BERRANDO, SABIÁ CANTANDO NO JEQUITIBÁ.
POR NOSSA SENHORA, MEU SERTÃO QUERIDO, VIVO ARREPENDIDO POR TER TE DEIXADO / ESSA NOVA VIDA AQUI DA CIDADE, DE TANTA SAUDADE EU TENHO CHORADO, / AQUI TEM ALGUÉM, DIZ QUE ME QUER BEM, MAS, NÃO ME CONVÉM, EU TENHO PENSADO / EU VIVO COM PENA, MAS ESSA MORENA, NÃO SABE O SISTEMA QUE EU FUI CRIADO / ESTOU AQUI CANTANDO, DE LONGE ESCUTANDO, ALGUÉM ESTÁ CHORANDO COM RÁDIO LIGADO.
QUE SAUDADE IMENSA DO CAMPO E DO MATO, DO MANSO REGATO QUE CORTA AS CAMPINAS, / AOS DOMINGOS IA PASSEAR DE CANOA NAS LINDAS LAGOAS DE AGUAS CRISTALINAS / QUE DOCE LEMBRANÇA DAQUELAS FESTANÇAS, ONDE TINHA DANÇA E LINDAS MENINAS, EU VIVO HOJE EM DIA SEM TER ALEGRIA, O MUNDO JUDIA, MAS TAMBEM ENSINA. / ESTOU CONTRARIADO, MAS NÃO DERROTADO, EU SOU BEM GUIADO PELAS MÃOS DIVINAS.
PARA MINHA MÃEZINHA JÁ TELEGRAFEI, E JÁ ME CANSEI, DE TANTO SOFRER, / ESSA MADRUGADA ESTAREI DE PARTIDA, PRA TERRA QUERIDA QUE ME VIU NASCER. / JÁ OUÇO SONHANDO O GALO CANTANDO, O INHAMBÚ PIANDO NO ESCURECER, A LUA PRATEADA, CLAREANDO A ESTRADA, A RELVA MOLHADA DESDE O AMANHECER / EU PRECISO IR, PRA VER TUDO ALÍ, FOU LÁ QUE NASCI, LÁ QUERO MORRER.
Musica - PEITO SADIO (cururu) tocado em MI
FOI ÀS QUATRO HORAS DA MANHÃ, MEU CACHORRO DE GUARDA LATIU / LEVANTEI PARA VER O QUE ERA E VESTI MEU CASACO DE FRIO. / ENTÃO VI QUE CHEGOU UM MENSAGEIRO, AMONTADO NUM BURRO TURDIO, / APEOU E ME DISSE: -BOM DIA. E O BOLSO DA BALDRANA ELE ABRIU. / UMA CARTA O RAPAZ ME ENTREGOU E DE NOVO AMONTOU E NA ESTRADA SUMIU.
DEI A CARTA PRO MEU IRMÃO LER, ELE LEU E ME OLHANDO SORRIU / É CONVITE PRA NÓIS IR NA FESTA, VAI HAVER UM GRANDE DESAFIO. / O PAPAI JÁ CORREU NO VIZINHO, FOI CHAMAR O VOVÔ E O TITIO / NÓIS CHEGAMOS A PULAR DE CONTENTE, LÁ EM CASA NINGUÉM MAIS DORMIU. / PRA QUEBRAR AQUELES CAMPEONATOS, NEM COM SINDICATO NINGUÉM CONSEGUIU.
VIOLEIRO QUE MANDOU CONVITE, MORA LÁ DO OUTRO LADO DO RIO, / ELE PENSA QUE "NÓIS NUM VAI LÁ", MAS NÓIS SOMOS CABOCLOS DE BRIO. / A PETECA AQUI DO NOSSO LADO, POR ENQUANTO NO CHÃO NÃO CAIU, / QUANDO NÓIS CHEGUEMOS NO CATIRA, OS MAIS FRACOS NA HORA FUGIU, / SÓ CANTEMOS MODA DE CAMPEÃO E OS "TAL" QUE ERA BOM, NEM SEQUER REAGIU.
PERGUNTEI PARA O DONO DA FESTA, ONDE FOI QUE O SENHOR CONSEGUIU. / ESSES TAIS VIOLEIROS FAMOSOS QUE AS MODAS DE NÓIS ENGOLIU. / O FESTEIRO FICOU PENSATIVO E MORDEU NO CIGARRO E CUSPIU, / VOCES SÃO DOIS CABOCLO BATUTAS, QUEM FALOU PODE CRER NÃO MENTIU / TEVE ALGUÉM QUE CANTAR EXPERIMENTOU, MAS O PEITO FALHOU E A VOZ NÃO SAIU.
AS VIOLA "NÓIS FAIZ" DE ENCOMENDA, NOSSO PEITO É TRATADO E SADIO, / JÁ CANTEMOS TRES NOITES SEGUIDAS, E AS MODAS NÓIS NÃO REPETIU. / QUEM REPETE É RELÓGIO DE IGREJA E O TRISTE CANTAR DO TIZIU, / E AGORA COM ESSA VITÓRIA, AINDA MAIS NOSSA FAMA SUBIU, / E VOCES NÃO DEVEM DISCUTIR, SE VIEMOS AQUI, FOI VOCES QUE PEDIU.
A viola caipira possui vários nomes, dependendo da região do país. Chama-se viola cabocla, viola de dez cordas, viola de pinho, viola de arame ou muitos outros mais. Aqui a trataremos somente por viola. A forma da viola, como encontrada na sua grande maioria atualmente, assemelha-se muito à forma do violão, sendo a principal diferença o tamanho reduzido da escala e da caixa de ressonância. A madeira utilizada na maioria das violas é o pinho, podendo, entretanto, ser utilizado o jacarandá e outros tipos. Ela possui algumas características que a tornam um instru-mento único. A primeira consiste na disposição das cordas: 10 cordas unidas aos pares, montando 5 pares. Os dois pares mais agudos são afinados em uníssono (mesma nota, na mesma altura). Os outros três pares são afinados em oitavas (mesma nota, com diferença de alturas de uma oitava). Ainda, sempre se tocam as duas cordas do par juntas. A segunda, é o fato de ser menor que um violão, tanto no que diz respeito ao tamanho da sua caixa de ressonância, quanto no tamanho da escala. A maneira de se tocar viola também é diferente da maneira de se tocar um violão comum. Primeiro, devido às cordas que são tocadas aos pares, e não individualmente como no violão comum. Segundo, por causa das afinações. Existem diversas afinações utilizadas, diferentemento do violão. Na viola, as afinações, normalmente, formam acordes abertos (como Ré maior ou Sol menor somente para exemplificar), fato que não ocorre com a afinação do violão. Terceiro, o toque da viola caipira utiliza muito as cordas soltas. Assim, suas afinações, seu tamanho peculiar e a maneira de se tocar e pontear utilizando muito as cordas soltas, lhe confere um som característico, único. Tudo isso está no site do violeiro Eric Martins - consta na lista de links www.ericmartins.mus.br
PEDRO BARBOSA integrante do grupo AMIGOS DA VIOLA, compôs uma música sobre a Viola Caipira, cujo título é VIOLA CAIPIRA, com informações obtidas das mais variadas fontes, veja:
VIOLA CAIPIRA, VIOLA DA ROÇA, VIOLA DE FEIRA, VIOLA DE ARAME, VIOLA SERTANEJA, VIOLA BRASILEIRA. / VEM DE ORIGEM ÁRABE, AL-AÚDE, CHAMADA MADEIRA, VEM COM OS JESUÍTAS, PRA NÓS É VIOLA, ÚNICA E PRIMEIRA. / CRUZOU OCEANO, VINDO DE LONGE, DE OUTRO CONTINENTE, PRA CHEGAR AQUI VIESTE CANTANDO, SORRINDO CONTENTE, NAS MÃOS DE QUEM SABE DEMONSTRA TUDO AQUILO QUE SENTE.
TÚ ÉS BEM TRATADA, BONITA E CUIDANDO ÉS DIVERSIFICADA, O TAL RIO ABAIXO, TAMBÉM CEBOLÃO TE DEIXA AFINADA. / TEM TAMPA, TEM TRASTE, TARRACHA E DEZ CORDAS EMPARELHADAS, NO BRAÇO COMPRIDO EU TOCO PAGODE, CATIRA E TOADA. / O SOM DA VIOLA É INCONFUNDÍVEL E NÃO DÁ PRA IMITAR, NÃO É QUALQUER UM QUE MESMO ESFORÇANDO CONSEGUE TOCAR. / DEUS SEJA LOUVADO, ESSE DOM QUE EU TENHO PRA EXECUTAR, QUE EU POSSA TAMBÉM AOS INTERESSADOS, PODER ENSINAR.
TOCAR COM ESTILO FAZENDO BONITO É EXPOR A EMOÇÃO, É O OBJETIVO E O BOM VIOLEIRO FAZ COM O CORAÇÃO. / A VIOLA ENCANTA, FASCINA E DESPERTA TODA PAIXÃO, DAS COISAS DA ROÇA E NOS LEMBRA O QUE HÁ DE MELHOR NO SERTÃO. / POR ISSO É QUE EU CANTO A MODA CAIPIRA, A MODA RAIZ. ALEGRAR MEU POVO É TUDO O QUE EU QUERO, ISSO EU SEMPRE QUIS. / A GENTE VIAJA NA IMAGINAÇÃO E FICA TÃO FELIZ, O CHEIRO DA TERRA VEM BATER DIRETO NO NOSSO NARIZ.
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